sábado, 5 de junho de 2010




Vida longa aos tipos móveis.

A virada dos meus quatorze para quinze anos foi extremamente mágica, pois foi o período em que descobri o mundo da leitura, algo que antes só fazia por obrigação, para as provas da escola. De um dia para o outro, me vi sem TV a cabo em casa. Isso em 1999 queria dizer: “Nada mais de assistir Friends, Arquivo X, Dawson´s creeck, That´s seventy show, Tird Rock from the sun, wings, sliders e todo e qualquer enlatado americano de comédia, drama, ficção ou terror , os desenhos animados que eu adorava e os programas legais da Discovery e os do People and Arts. Meu mundo se reduziu a rede globo e SBT, os demais canais não pegavam.Não podia nem mesmo ver MTV ou a Tv cultura, que faziam parte diária da minha vida, até então. O que pude fazer se não: Desligar a TV e ler um livro?

Não tive escolha, a TV aberta me deprimia. Foi então que adentrei ao mundo mágico dos livros.

Cheguei diante da prateleira da sala e dei uma boa observada naqueles livros grossos de capas duras que eu sempre quis ler, mas nunca tive saco. Achava lindo uma pessoa ser culta e ler livros grossos e ainda por cima achar isso divertido.

Queria isso pra mim! Então, embarquei na enciclopédia CONHECER. Não durou cinco minutos e já estava com o sono digno de um urso minutos antes de hibernar. Tive outras tentativas, como ler a enciclopédia BARSA (duas folhas e nada mais), a enciclopédia TRÓPICO, essa era ilustrada com lindos desenhos super coloridos e eu gostava muito de admirá-los, foi por isso que lá aprendi sobre Joana Darc, máquinas fotográficas, arco-íris, algumas coisas sobre a Grécia antiga e pedras preciosas. Minha fixação por enciclopédias tinha uma explicação lógica, queria poder guardar todo aquele conhecimento. Achava isso muito legal, mas não funcionou.

Apelei para a vontade que crescia dentro de mim de passar no vestibular e me empenhei em ler livros que caiam na prova de literatura. Dos males o menor, certo? Pensei comigo: ‘melhor pegar logo o mais fino’. E qual era o mais fino? Justamente, Iracema. Levei um ano pra ler esse livrinho bacana. Foi nesse ano que tomei gosto pela leitura, não com a ajuda da Iracema, muito pelo contrário, ela só me ajudou a ter capacidade para ler mais de um livro ao mesmo tempo. Como era muuuuito chato ler Iracema, lia apenas um pouquinho por dia e depois pegava outro livro. Ainda hoje, Iracema compete com Olhai os Lírios do Campo como um dos livros mais traumatizantes da minha juventude.

E foi assim que me tornei uma apreciadora da literatura. Gosto de pensar nas palavras de um livro, escritas em uma única linha. Como se não houvesse pauta. Um filete de papel estendendo-se pelo plano infinito. A história se tornando infinita, passível de milhares de possibilidades.

Vida longa aos tipos móveis.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Coloque seus óculos coloridos e diga-me o que vê.



Um encontro de dois
Olho a olho, cara a cara
E quando estiveres perto,
Eu arrancarei teus olhos
E os colocarei no lugar dos meus
E tu arrancarás meus olhos
E colocarás no lugar dos teus
Então eu te olharei com teus olhos
E tu me olharás com os meus.

(Moreno)



Empatia
Quando você acredita que a conquistou , pelo menos com alguém, uma pessoa em especial, em algum momento o outro abre os seus olhos e te mostra que você nada sabe além de qualquer outra pessoa. E você se vê perdido, submergido pelas suas crenças, sem identificar qual o caminho certo, pois você se deixou cegar por suas convicções a ponto de não enxergar mais nada além delas. Então, se questiona se algum dia conseguiu arrancar seus próprios olhos e ver o mundo com os olhos dos outros.
É como se cada um tivesse uma lente de cor própria e única que permite ver o mundo de forma específica.

Direi o que vejo com as minhas lentes e será tão bom se você fizer o mesmo. Chegará o momento que trocaremos nossas cores até nossos olhos virarem luz e então não haverá mais mal-entendidos.Não haverá mais o meu ponto de vista ou o seu ponto de vista. Haverá entendimento. Um encontro de dois.