
http://www.youtube.com/watch?v=hLQl3WQQoQ0&ob=av2n
Vida longa aos tipos móveis.
Não tive escolha, a TV aberta me deprimia. Foi então que adentrei ao mundo mágico dos livros.
Cheguei diante da prateleira da sala e dei uma boa observada naqueles livros grossos de capas duras que eu sempre quis ler, mas nunca tive saco. Achava lindo uma pessoa ser culta e ler livros grossos e ainda por cima achar isso divertido.
Queria isso pra mim! Então, embarquei na enciclopédia CONHECER. Não durou cinco minutos e já estava com o sono digno de um urso minutos antes de hibernar. Tive outras tentativas, como ler a enciclopédia BARSA (duas folhas e nada mais), a enciclopédia TRÓPICO, essa era ilustrada com lindos desenhos super coloridos e eu gostava muito de admirá-los, foi por isso que lá aprendi sobre Joana Darc, máquinas fotográficas, arco-íris, algumas coisas sobre a Grécia antiga e pedras preciosas. Minha fixação por enciclopédias tinha uma explicação lógica, queria poder guardar todo aquele conhecimento. Achava isso muito legal, mas não funcionou.
Apelei para a vontade que crescia dentro de mim de passar no vestibular e me empenhei em ler livros que caiam na prova de literatura. Dos males o menor, certo? Pensei comigo: ‘melhor pegar logo o mais fino’. E qual era o mais fino? Justamente, Iracema. Levei um ano pra ler esse livrinho bacana. Foi nesse ano que tomei gosto pela leitura, não com a ajuda da Iracema, muito pelo contrário, ela só me ajudou a ter capacidade para ler mais de um livro ao mesmo tempo. Como era muuuuito chato ler Iracema, lia apenas um pouquinho por dia e depois pegava outro livro. Ainda hoje, Iracema compete com Olhai os Lírios do Campo como um dos livros mais traumatizantes da minha juventude.
E foi assim que me tornei uma apreciadora da literatura. Gosto de pensar nas palavras de um livro, escritas em uma única linha. Como se não houvesse pauta. Um filete de papel estendendo-se pelo plano infinito. A história se tornando infinita, passível de milhares de possibilidades.
Vida longa aos tipos móveis.
